20 junho 2012 arquivado em: Blog
TCC 1.doc
Parece que, finalmente, acabou.

Acabou a reclusão, acabou a ausência da vida das pessoas importantes. Acabaram as crises de choro e de estresse. Agora, vai demorar pra eu recusar um convite, pra eu dizer “vou não, tou aqui terminando o TCC”. Vai demorar pra eu ficar noites sem dormir, madrugadas inteiras redigindo textos, fichando livros, buscando artigos, fazendo citações, referências bibliográficas, normalização. Semanas sem sair de casa, seis meses de conflito interno e externo. 
Seis meses de concentração, de confinamento.
Seis meses de dedicação exclusiva a um documento que resume a primeira parte do meu aprendizado acadêmico em 12.161 palavras, 402 parágrafos, 1.532 linhas e 63 páginas. Que foi escrito em dois meses, a partir do dia em que tive de abandonar meu projeto antigo (já fundamentado, articulado e encaminhado). Dois meses para se fazer um trabalho de seis. Dois meses para colocar, em várias folhas de papel, um projeto idealizado em uma reunião de trinta minutos.
Em dois meses, quantos e-mails trocados? Quantos telefonemas, desesperadores e desesperados? Quantas reuniões, quantos livros alugados que esqueci de devolver? Quantas multas pagas? Quanto dinheiro gasto e jogado no lixo? 
Quantas vezes eu deixei de ser Juliana, e fui ser pesquisadora?
Quantas vezes eu esqueci o quanto odiava modelar, e fui fazê-lo?
E quantas vezes as coisas deram errado, e depois deram errado de novo, e depois de novo?
primeira impressão: desespero!
E quantas vezes eu tive de correr o risco de estragar tudo de novo?
metendo a mão na massa, esquecendo dos medos e cortando a malha.
Foram um milhão de sentimentos que desabrocharam em mim a cada segundo desse TCC. Em algumas raras vezes, a vontade de desistir, de jogar tudo pro alto e sair correndo pra minha cama, pra chorar até dormir. Logo depois, a consciência de quem já tem vinte anos e está no sétimo semestre de um curso da graduação. E aí era respirar fundo, mesmo com os olhos marejados, e -como muitas vezes disse, por aí- keep going.
E, de tanto ir pra frente -sempre pra frente!-, acabei cruzando com algumas boas almas que estavam no meu caminho. E foi assim que eu consegui parar uma produção de 20.000 peças, às 17h15 de uma sexta-feira, para estampar três blusas.
Nó na garganta, olhos afogados em lágrimas e a sensação mais branda de alívio que eu já senti em toda a minha vida. Obrigada ao Bruno Clementino, obrigada à Ana Mourão!
Aos 45 do segundo tempo, Gustavo e Thamires se dispuseram a passar um domingo quase inteiro aqui em casa, só para fazerem o vídeo que eu tinha proposto. E eles chegaram às 10h da manhã, quando poderiam   estar na praia. E saíram às 17h, quando poderiam estar se divertindo. Sete horas de processo, separadas por duas de refeição.
E não posso esquecer da Isa, que ficou revoltada chateada porque não a chamamos. Desculpa, amiga, mas não ia te caber no meu quarto, no meio de tantas cadeiras, câmeras e notebooks! :~
Em poucos dias, o vídeo ficou pronto. E lindo. Tão lindo, que às vezes custo a acreditar que foram as pessoas envolvidas que fizeram aquilo. Estamos nos adultizando, amigos…!
No último domingo, não fui à casa da minha avó. 
Hoje, são quatro dias que não vejo meu namorado, e só falo com ele na hora de dormir.
Ontem, saí com meus amigos… Pela primeira vez no semestre.
Hoje, minha família fica feliz por me ver ansiosa, porque foram seis meses de estresse e desespero.
um pedacinho de uma das blusas que serão apresentadas amanhã!
Então, a todos vocês que acompanharam esse processo desde o início… Ou se você chegou um pouco atrasado, ou ainda, se você nem sabia do que se tratava, mas tava ali, vendo tudo…
Muito obrigada.
Eu sei que parece bobagem, mas toda e qualquer demonstração de presença, nesse período de incubação, toma proporções inimagináveis. Tudo faz rir, tudo faz chorar. À flor da pele.
Às pessoas que tanto me ajudaram, que estiveram do meu lado durante esse tempo todo, e que não desistiram de mim… E também àquelas que fizeram questão de me abandonar quando eu mais precisei…
… MUITO OBRIGADA!
Cada um de vocês foi peça fundamental neste trabalho. Sem vocês, eu tenho certeza de que não teria conseguido.
É amanhã.
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